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Review Iron Maiden
“Oh! Que saudades que tenho, da aurora da minha
vida, da minha infância querida, que os anos não
trazem mais”. Tá bom, tá bom, Casimiro de Abreu
foi um genial poeta da geração romântica
brasileira, principalmente com “Meus Oito Anos”,
obra tão ensaiada nos fatídicos jograis
escolares. Mas p
ara que comparar um poeta ao
maior grupo de Heavy Metal do mundo?
A volta às raízes,
o cheiro de poeira e mofo, a nostalgia, enfim, tudo que
compreende aquele sentimento de antigo. E grande parte dos
malucos berrentos que estiveram na Pedreira Paulo Leminsky em
Curitiba (PR), na terça-feira, nem tinha o espírito aventureiro
e despojado quando os ingleses já viviam na época da seminal New
Wave Of British Heavy Metal. Em 1985, enquanto o Iron Maiden
completava uma turnê com 193 shows em passagens por diversos
países – inclusive no Brasil – com uma explosão sonora chamada “Powerslave”,
muitos de nós apenas engatinhávamos no rock e na vida,
literalmente.
E a aurora voltou! Incrível. Talvez a mais especial forma de
presentear os fãs com um baú velho mas cheio de preciosidades,
Steve Harris e turma resolveram concentrar-se no passado e nos
dar nova visão de futuro. O museu do Heavy Metal estava aberto,
com data definida para iniciar atividades, mas também com prazo
de validade curto, sem aqueles quase 200 shows que fizeram
“Powerslave” um dos discos mais especiais da história do metal.
Apenas duas horas, pouco tempo, mas suficiente para lavar a alma
de qualquer louco pelo Maiden.
A Pedreira de
Curitiba é um local com muita história para contar sobre eventos
de grande porte. Notícias rolam de um show do Ramones na década
de 90 como sendo um dos mais insanos já vistos em terras
brasileiras.
Outros, já citam a própria passagem do Iron Maiden
em 1998 – com Blaze Bayley nos vocais e ainda uma dupla nas
guitarras – como um momento incomparável. Dentre tantas outras
lembranças na Pedreira (metálicas ou não), a passagem da Donzela
de Ferro por terras paranaenses não deu margem para decepção.
Foram duas horas de regressão com três guitarristas estúpidos de
tão bons, tão idênticos no momento de sincronia e tão diferentes
na hora de mostrar quem consegue dançar e rodopiar mais no
palco.
Segundo a
organização, em torno de 20 mil ingressos foram vendidos, um mar
de gente que só queria cantar e se divertir. Música boa não
faltou, afinal a turnê Somewhere Back in Time do Iron Maiden é
uma das mais comemoradas dos últimos anos por trazer velhos
clássicos de volta, com a mesma pegada que o grupo demonstrava
nos anos oitenta, acrescentado claro de mais uma guitarra e toda
a parafernália de som e luz existentes no século XXI. Isso quer
dizer qualidade, tanto no áudio como na iluminação,
que
combinaram perfeitamente com a singular forma da Pedreira.
Microfonias? Guitarras falhando em solos? Isso acontece com
qualquer um, inclusive com os melhores.
É de se admitir que falar de cada música do set-list deste show é provocar, no mínimo, grande abuso de redundância. Pois ninguém tinha dúvida que “Aces High”, “Two Minutes To Midnight”, “Revelations” e “Wasted Years” fizessem até mesmo os mais experientes fãs do Iron Maiden se balançar e sorrir feito criança em dia de festa de aniversário. A turnê começou em fevereiro na Índia, e o set até agora sofreu apenas pequenas mudanças na ordem de algumas músicas. Com isso, ficou a impressão que este show tem mesmo o desenho dos anos 80, com o fundamentalismo do “Seventh Son Of A Seventh Son”, os sintetizadores de “Somewhere in Time” e o vigor de “Powerslave”.
Curitiba gritou
14 vezes a pedido de Bruce Dickinson. E poderia ter sido ainda
mais, se não fosse o jeito cômico de um dos ícones do Heavy
Metal se portar, tendo o público nas mãos apenas com o olhar. A
bem da verdade, quem mais berrou mesmo foi o próprio Dickinson,
que mostra que está com a garganta afiadíssima e não tem medo de
subir nas estruturas metálicas do palco durante “Fear Of The
Dark”. Esta, por sinal, um pouco deslocada da temática da turnê
que a banda assumiu (a canção foi lançada no disco homônimo de
1992), mas o fato é que ninguém deixou a música passar
despercebida, inclusive como um dos momentos altos da festa.
A noite também
teve momentos de pura maestria com “The Rime Of The Ancient
Mariner” (13 minutos de uma união perfeita entre Nicko Mcbrain,
Steve Harris, Dave Murray, Janick Gers, Adrian Smith e Bruce
Dickinson). Clássicos nem tão esquecidos assim, dentre eles “Run
To The Hills”, “Iron Maiden” e “Can I Play With Madness” já vem
sido tocadas há anos, mas nem por isso deixam de agradar a
galera que sempre pede mais.
Para fugir do
lugar comum, Curitiba teve alguns fatos realmente curiosos neste
show
de terça-feira. Um jacaré de plástico apareceu no palco,
vindo pela parte de trás, assim como um fã que correu em direção
a Bruce Dickinson e, lógico, a segurança tratou de quase
“depenar” o invasor. Outros perceberam que o show valeu mesmo a
pena logo ao passar pela bilheteria e reconhecer o diretor Sam Dunn, do documentário: “Metal: A Headbanger's Journey”, que
circulou pela Pedreira e fez imagens do grupo no Brasil para
incluir em um novo documentário, especialmente encomendado pelo
Iron Maiden.
Lauren Harris,
a filha de Steve, também “revolucionou” a noite de festa.
Enquanto uns bebiam, conversavam ou apenas esperavam a atração
principal, outros simplesmente babavam pela jovem, que por sinal
é muito bonita e tem talento, mas não para eventos deste tipo.

Ainda assim,
sobram motivos para se orgulhar do passado presente que virou um
verdadeiro presente para os fãs. Quando vocês imaginariam ouvir
“Moonchild” ao vivo? E “Clairvoyant”? Por isso que o Maiden
continua se perpetuando, pois além de lançar ótimos discos
periodicamente, sabe dosar a capacidade de agregar novos meios,
com antigos artifícios. E como diria Casimiro de Abreu, na
continuidade de seu famoso poema: “que auroras, que sol, que
vida, que noites de melodia, naquela doce alegria, naquele
ingênuo folgar!”
Viva o Iron Maiden, e as nossas longas noites de alegria!
Set-list - Curitiba
Intro -
Churchills Speech
1. Aces High
2. 2 Minutes To midnight
3. Revelations
4. The Trooper
5. Wasted Years
6. Number of the Beast
7. Run To The Hills
8. Rime Of The Ancient Mariner
9. Powerslave
10. Heaven Can Wait
11. Can I Play With Madness
12. Fear Of The Dark
13. Iron Maiden
bis:
14. Moonchild
15. Clairvoyant
16. Hallowed Be Thy Name
Agradecimentos
especiais:
Roger da Marhceco, Ana Flores do Grupo Jam, Mondo
Entretenimento. Cláudio Vicentin e equipe da Roadie Crew, Makila
Crowley e Samuel Klein.
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