David Fricke,
da Rolling
Stone
norte-americana,
assinou uma
resenha do
novo
trabalho do
GUNS N'
ROSES, "Chinese
Democracy",
cuja
tradução
segue abaixo
(adaptado de
textos
publicados
no
GunnersBrasil.com
e no
Perfect
Crime,
este último
traduzido
por Bruno Do
Amaral aka
Voodoochild):
Avaliação:
4/5
Vamos direto
ao assunto:
o primeiro
álbum de
músicas
novas e
originais do
GUNS N'
ROSES desde
a primeira
admnistração
de um Bush é
um disco de
hard-rock
ótimo,
audacioso,
atordoante e
descompromissado.
Em outras
palavras,
soa muito
parecido com
o GUNS N'
ROSES que
você
conhece. Às
vezes, é o
quinteto de
punho
cerrado que
fez uma
tempestade
perfeita em
1987 no
“Appetite
For
Destruction”;
mais
comumente é
o
destrinchado
pelos CDs
maximizados
de 1991,
“Use Your
Illusion” I
e II, mas
aqui é
comprimido
em um único
disco
convulsivo
de guitarras
super-fritadoras,
fanfarras
orquestrais,
eletrônica
hip-hop, um
coro de
tabernáculo
metálico e
Axl Rose
cantando
ainda viril
como uma
sirene
enferrujada.
Se Rose
alguma vez
teve um
momento de
dúvida sobre
o que
“Chinese
Democracy”
lhe custou
em tempo (13
anos),
dinheiro (14
estúdios
estão
listados nos
créditos) e
contagem de
corpos -
incluindo a
saída de
cada membro
fundador da
banda - ele
não deixou
espaço para
isso nessas
14 músicas.
"Eu aposto
que você
está
pensando que
estou
fazendo tudo
isso pela
minha
saúde", diz
Rose entre
as guitarras
bombeando
saturação em
"I.R.S.",
uma das
várias
referências
no álbum
sobre o que
ele sabe que
as pessoas
pensam dele:
esse Rose,
agora com 46
anos, passou
o último
terço de sua
vida saindo
dos trilhos.
Mas quando
ele diz,
"Tudo é
possível /
Ninguém
consegue me
deter" não
se trata de
mera
estupidez,
mas apenas
um bom e
velho "vai
se foder"
típico do
rock & roll,
algo que fez
a fama dele
e de sua
banda.
Outra coisa
que Axl
transmite em
“Chinese
Democracy” é
que
"limitações
são para
idiotas". Há
muita força
de guitarra
na frase que
abre a
primeira
faixa, "Chinese
Democracy",
no
fuzz-infernal-arenoso
de "Rhiad
And The
Bedouins" e
tudo muda em
"Street of
Dreams", uma
música cheia
de angústia.
Mas o que
Slash e Izzy
Stradlin
costumavam
fazer com
duas
guitarras,
agora leva
uma parede
delas. Em
uma das
faixas, Rose
tem cinco
caras -
Robin Finck,
Buckethead,
Paul Tobias,
Ron "Bumblefoot"
Thal e
Richard
Foruts,
fazendo
riffs e
solos. E não
é
brincadeira.
Eu ainda
acho que a
selvagem e
superestufada
"Oh My God"
- uma antiga
música do "Chinese
Democracy"
usada para a
trilha
sonora do
filme de
1999, "Fim
dos Dias",
supera
qualquer
coisa no
álbum de
covers de
1993, “The
Spaghetti
Incident?”
Muitas
dessas
músicas têm
múltiplas
personalidades,
como se Rose
continuasse
tentando se
aproximar de
uma ponte e
decidisse,
"Mas que
diabos, elas
são todas
boas". "Better"
começa com o
que soa como
uma mensagem
de voz
hip-hop -
uma guitarra
severamente
distorcida,
bateria
eletrônica e
um Rose
perto do
falsete ("No
one ever
told me when/
I was alone/
They just
thought I'd
know better")
- antes de
entrar na
pegada
Sunset Strip.
"If The
World" traz
Buckethead
tocando um
violão sobre
uma base
estilo de
filmes,
enquanto
Rose mostra
que ainda
segura um
bom volume e
boa
respiração -
parte vítima
de tortura,
parte jato
gritante -
como nenhum
outro cantor
de rock.
E tem muito
acontecendo
em "There
Was A Time"
- cordas e
Mellotron,
um forte
coro, os
overdubs
melódicos da
voz de Rose,
guitarras
com wah-wah
e um final
falso (mais
coro) - é
fácil de
acreditar
que Rose
passou a
maior parte
da década
passada
trabalhando
sozinho
nesse
arranjo.
Nunca chega
a ser uma
bagunça, é
mais como
uma mistura
barulhenta
de más
memórias e
lições
difíceis.
Nas
primeiras
linhas, Rose
volta a um
início como
o seu -
"Vidros
quebrados e
cigarros/
Escritas na
parede/ Era
a barganha
no verão/ E
eu achava
que eu tinha
tudo" -
então entram
pilhas de
coisas com a
orquestra e
as
guitarras.
No final, há
uma grande
mistura de
ter ou não
saudade ("Se
eu pudesse
voltar no
tempo... Mas
eu não quero
saber disso
agora"). Se
esse é o
GUNS N'
ROSES que
Rose andava
ouvindo na
sua cabeça
durante todo
esse tempo,
é óbvio o
porquê das
duas
guitarras,
baixo e
bateria
nunca seriam
o
suficiente.
Seria
estranho se
ele pensasse
que o GUNS
N' ROSES é
uma banda
como a que
gravou "Welcome
To The
Jungle" e "Sweet
Child O'Mine",
"Used To
Love Her" e
"Civil War".
Os volumosos
créditos que
vem com
“Chinese
Democracy”
certamente
mostram o
motivo. Meu
favorito:
"Sugestões
de arranjo
iniciais:
Youth em
'Madagascar'".
Rose pega a
grande fatia
- "Letras e
Melodias por
Axl Rose" -
mas
compartilha
linhas
inteiras de
música com
outros
músicos em
todas as
faixas menos
uma. O
baixista
Tommy
Stinson toca
em quase
todas as
músicas e o
tecladista
Dizzy Reed,
o único
sobrevivente
da formação
dos 'Illusions',
faz as
honras de um
piano ao
estilo Elton
John em "Street
of Dreams".
Mas Rose
ainda canta
bastante
sobre o
poder, e
entra numa
briga ainda
maior, como
a
"Democracia
Chinesa". Em
"Madagascar",
que Rose
tocou ao
vivo por
alguns anos,
ele coloca
trechos do
discurso do
Dr. Martin
Luther King,
"I Have A
Dream", e
diálogos do
filme "Cool
Hand Luke".
No final do
álbum, na
intitulada "Prostitute",
Rose passa
de um tenor
quase que
conversando
para uma
bomba
prestes a
explodir,
para uma
barreira de
cinco
guitarras,
orquestrações
e um rugido:
"Pergunte a
si mesmo/
Por que eu
escolheria/
Me
prostituir/
Para viver
com fortuna
e vergonha".
Para ele, a
longa marcha
até “Chinese
Democracy”
não foi de
paranóia e
controle.
Foi de dizer
"não vou"
quando todos
diziam "você
deve". Você
poderá
debater qual
outro disco
de rock é
tão extremo
e
auto-indulgente.
Na verdade,
a coisa mais
rock & roll
que existe
em “Chinese
Democracy” é
que ele não
está nem aí
se você
pensa nisso.
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