Pat Prince, do site Powerline A.D., recentemente conduziu uma entrevista com a lenda sueca da guitarra YNGWIE MALMSTEEN, que falou abertamente sobre seu gênio difícil e sua postura considerada arrogante por alguns.
Powerline A.D.:
Você acha que compete com alguns guitarristas que estão por ai
na estrada hoje em dia?
Yngwie: "Nunca. E não é porque eu sou arrogante… Eu só não tenho esse habito de sair e comprar um álbum. Se eu estou escrevendo algo, vou me focar nas minhas composições. A última coisa que eu quero pensar enquanto estou compondo ou gravando é o que as outras pessoas estão fazendo por ai. Quando era pequeno eu tinha meus heróis musicais, como Bach, Vivaldi e Paganini, mas nem eles eu ouço mais".
Powerline A.D.: Bem, certamente algum guitarrista lhe serviu de influência, como Jimi Hendrix…
Yngwie: "Não, isso não é verdade".
Powerline A.D.: "Não? Eu li que quando criança você viu Hendrix na TV e foi esse o impulso para você começar a tocar?"
Yngwie: "Sim, eu tinha sete anos e vi ele na TV. No dia que ele morreu mostraram um video dele colocando fogo em sua guitarra, e o impacto da imagem me instigou a tocar. Não ouvi nada. Se você ouvir meus álbuns, vai notar que não são influenciados por ele. Talvez, quem sabe alguma balada.
Powerline A.D.: Nenhuma influência dos guitarristas europeus como Michael Schencker e Uli Roth?
Yngwie: "Quando eu era muito, mas muito pequeno, tinha de 7 a 10 anos, era Ritchie Blackmore. E depois disso, eu parei de ouvir guitarristas, todos eles".
Powerline A.D.: Nos anos 80, quando você veio para os EUA pela primeira vez para tocar no STEELER, houve muito falatório. Me lembrou os anos 60 em Londres,quando escreviam nas paredes “Clapton is God” (N do T: “Clapton é Deus”) por toda Londres. Como você lidou com as altas expectativas do público no decorrer dos anos?
Yngwie: "Eu aprendi muito cedo que elogios e criticas não podem ser levadas ao pé da letra. A única coisa que sei é que eu sou meu pior crítico. Ninguém me critica mais que eu mesmo. Sou muito chato e perfeccionista. E, é claro que é ótimo quando as pessoas curtem o que você faz. Todos os elogios são bem-vindos".
Powerline A.D.: Qual é a sua opinião sobre o termo "Shredder" (traduzido/adaptado para “Fritador”, embora o literal fosse "triturar")?
Yngwie: "Bem, você pode fritar ovos, fritar queijo, fritar muitas coisas. Eu frito notas. Eu acho que é só um termo pois quando vim pela primeira vez ao EUA ainda adolescente, as pessoas chegavam e diziam: 'Hey, cara, você frita... Eu não sabia a principio do que eles estavam falando, mas depois é claro que entendi. Eu não me importo. Tudo é bom".
Powerline A.D.: Depois do STEELER e do ALCATRAZZ, você foi chamado para outra grande banda?
Yngwie: "Teve algumas pessoas que me perguntaram sobre a possibilidade, mas eu estou em bandas desde meus 10 anos na Suécia e sempre fui o líder. Sempre fui o compositor, o guitarrista solo, o vocalista. Eu era sempre o bom, mas quando vim para os EUA já sabia que teria que dar uma desacelerada e passar por algumas bandas para voltar a ser o líder de novo. Quando isso aconteceu, eu voltei pra Suécia com o RISING FORCE. Eu sempre me certifiquei que estaria numa posição em que teria o controle, porque democracia simplesmente não funciona para mim. Eu sou um ditador nato. É apenas como eu trato minha musica. Eu acho que lido com ela como um pintor lida com seus quadros, mas com um toque rock and roll. Algumas pessoas não entendem e eu simplesmente encho o saco explicando, até que desisto".
Powerline A.D.: Mas, se alguém como Axl Rose pedisse para você entrar no GUNS N´ ROSES – uma oportunidade única na vida - você iria?
Yngwie: "Provavelmente não. Mas, estaria aberto a isso como convidado. Quando eu participo em álbuns de outras bandas, sou o comandado. Faço exatamente o que é pedido. Faço o que um profissional faria. E fiz isso muito na minha carreira. Porém como guitarrista da banda, acho que não. Mas, quem sabe. Nunca sabemos o que nos reserva".
Powerline A.D.: O que você prefere: vida na estrada com sua guitarra ou compor no estúdio?
Yngwie: "Bom, são situações bem diferentes. Eu adoro tocar ao vivo e o som da banda quebrando tudo quando encontramos uma boa casa de shows, é simplesmente ótimo. Eu tento conseguir essa atmosfera em estúdio. Muitos tentam “copiar” o álbum quando tocam ao vivo. Eu sou o oposto, gosto da pegada das arenas. Mas o estúdio é um laboratório onde você pode ser um cientista maluco e mudar tudo sempre. Eu simplesmente amo os dois. Poder tocar algo nos dois ambientes é muito bom".
Leia a entrevista completa (em
inglês) no
powerlinead.com.
A gravadora SPV disponibilizou em sua página no YouTube o vídeo clipe de "Rock Out", música que faz parte de "Motörizer", novo álbum do MOTÖRHEAD:
Kid Vinil - "Uns 10 mil vinis e mais uns 10 mil CDs!"
Por Ricardo Seelig
Kid Vinil é uma lenda. Músico, radialista, crítico musical, apresentador de TV, já fez de tudo no mundo da música. Mas o que pouca gente sabe é que Kid possui uma das coleções mais completas, abrangentes e impressionantes do Brasil. Nesta longa conversa Kid contou como surgiu a sua paixão pelo rock, apresentou a sua coleção e deu várias dicas de grupos que valem a pena conhecer. Então sente na cadeira, puxe o bloco de anotações e curta com a gente as histórias de Kid Vinil.
Bem, meu nome verdadeiro é Antônio Carlos, mas sou mais conhecido como Kid Vinil. Tenho 51 anos, sou brasileiro, nascido em Cedral (SP).
Comecei minha carreira como locutor de rádio em 1979 na extinta Excelsior FM. Fiz o primeiro programa de punk e new wawe do rock brasileiro. O apelido Kid Vinil aconteceu justamente nessa época e acabou sendo o nome do meu programa de rádio. Na época eu estava me formando em jornalismo.
Paralelo à minha carreira radiofônica eu tinha minha banda, o Verminose, que tocava punk, rockabilly e new wave. Por volta de 83 mudamos o nome para Magazine e estouramos em todo país com os hits "Sou Boy" e "Tic Tic Nervoso". O Magazine é uma versão mais new wave e mais pop do Verminose. A banda durou até 85, quando junto com o guitarrista André Christovan eu formei o Kid Vinil & Os Heróis do Brasil. Gravamos apenas um disco e o grupo acabou em 89.
Nos anos noventa fiz um disco solo na RGE e reformamos o Magazine para shows, e em 2002 gravamos um cd da volta do Magazine pela Trama chamado "Na Honestidade".
Atualmente me apresento com a banda Kid Vinil Xperience, que toca um repertório bem variado, inclundo os hits do Magazine, novas composições e algumas covers.
Voltando à carreira radiofônica, já estive em quase todas as rádios rock de SP e fiz programas variados durante todos esses anos. Mais recentemente estava na Brasil 2000, onde cheguei até a cuidar da programação durante um ano e fiz diversos programas.
Na TV apresentei no final da década de 80 o programa "Boca Livre" da TV Cultura, e nos anos noventa o "Som Pop". Em 2000 apresentei na MTV o programa "Lado B".
Atualmente, além da banda sou DJ de festas de "rock alternativo" e festas temáticas de "anos 80".
Sei que já faz algum tempo, mas você lembra como foi o seu primeiro contato com a música e, mais especificamente, com o rock?
Foi através da minha familia. Meu pai é fã de Elvis e meu irmão dos Beatles. Foi assim que caí na vida.
Toda grande coleção tem o que eu chamo de o seu “ponto zero”, o seu marco inicial. Aquela hora em que nós, colecionadores, percebemos que somos diferentes dos nossos amigos, que apenas “consomem” música. A dedicação é maior, o investimento é maior, o cuidado com tudo é maior. Quando você percebeu que estava se transformado de um simples fã em um colecionador?
Acho que a partir do momento que eu comecei a ganhar uma grana para poder ter os discos que eu queria. Mas desde o inicio da decada de setenta eu sonhava com isso. Guardava todos os trocados que eu tinha para comprar os LPs importados no Museu do Disco (loja lendária da década de 70 localizada no centro de SP)
Sacia a minha curiosidade: sei que a sua coleção é gigantesca, mas quantos álbuns no geral você possui?
Não sou um cara organizado que sai cadastrando e numerando seus discos, pois moro num apartamento pequeno e os discos ficam espalhados pela casa inteira, mas eu calculo, entre LPs, remixes e compactos de 7 polegadas, uns 10 mil vinis, e CDs também estou próximo de mais dez mil (originais).
Imaginei que seriam milhares, mas é realmente um acervo impressionante. Para dizer a verdade, o maior que já publicamos aqui na Collector´s Room. Entre todos estes itens, de quais grupos você possui mais material?
Talvez de bandas mais famosas e que desfrutam de uma discografia grande, como Beatles e Rolling Stones, isso incluindo bootlegs, edições raras, etc.
Além dos CDs, vinis e DVDs, com certeza você possui diversos outros itens na sua coleção, certo?
Na verdade, devido ao tamanho do lugar onde moro, não daria para comportar mais coisas além do que mais gosto, que são meus vinis, CDs e DVDs. Tenho revistas de rock tipo Mojo, Record Collector, NME, Uncut e outras mais underground, mas não dá para colecionar, quando vejo que tá ocupando espaço eu me desfaço delas. Outras bugigangas relacionadas ao rock, acho que não, nunca me interessei em colecionar peças de museu, ou guitarra de alguém, prefiro o disco.
Imagino que as pessoas não começaram a chamar você de Kid Vinil à toa. Conta para nós qual é a origem e como surgiu este apelido.
Na verdade o apelido surgiu por causa do programa de rádio em 79. Eu tinha voltado de Londres e tinha visto toda aquela movimentação punk por lá, daí queria fazer o programa de rádio, então precisava de um apelido. Pensamos em "Kosmo Vinyl", que era o nome do tour manager do The Clash, mas seria muita cara de pau roubar o nome do cara, daí fiz uma composição. Tinha um DJ da BBC Radio chamado Kid Jensen, então eu emprestei dos dois e criei o “Kid Vinil”, que por acaso ficou legal, pois eu era um aficcionado por vinil.
Eu costumo dizer que, apesar do amplo horizonte que a música nos proporciona, abrindo as nossas cabeças, o rock ainda é, sem dúvida, o estilo mais apaixonante que existe. Neste sentido, você consegue contar para gente como foi a sua história, a sua trajetória dentro do rock and roll?
Primeiro foi Elvis, Paul Anka e depois Beatles e Stones. Mais tarde, quando eu tinha meus 12 anos, comecei a ouvir Hendrix e Janis Joplin, aos quatorze Black Sabbath e Led Zeppelin, Slade, Alice Cooper, The Who, Neil Young e toda geração Woodstock.
Aos dezoito conheci Frank Zappa, me aprofundei em Bob Dylan, Jefferson Airplane, Grateful Dead e toda a geração psicodélica californiana. Aos 20 anos comecei a me interessar por jazz rock e ouvir de Miles Davis a Chick Corea, Mahavishinu Orchestra e Weather Report. Mergulhei no rock progressivo do King Crimson, Emerson Lake & Palmer, Yes, Pink Floyd, Genesis e toda geração progressiva.
Em 74, cansado de tudo isso, comecei a ouvir David Bowie, Lou Reed, Stooges, MC5, T. Rex e Patti Smith. Alguns anos depois caí de cabeça no punk e na new wave do Television, Blondie, Elvis Costello, Ramones, Clash, Vibrators, Pistols, etc.
Daí vieram outras tendências, o pós punk do PIL e do Gang of Four, os anos oitenta de Siouxsie, Cure, U2, Joy Division, New Order, Echo, Smiths, etc.
Nos anos noventa o grunge do Nirvana e Mudhoney e o britpop do Suede, Pulp, Blur e Oasis, até os dias de hoje, quando ouço Arctic Monkeys e gosto de verdade, como continuo gostando de Sonic Youth.
Vamos voltar um pouco no tempo então: qual foi o primeiro álbum que você comprou?
Aos onze anos de idade comprei a trilha do filme "Yellow Submarine" dos Beatles, porque vi o filme e adorei a trilha.
Qual o item que você considera o mais raro da sua coleção?
Hoje fica diíícil especificar algum item raro, pois quase tudo sai em CD e o vinil acaba perdendo um pouco o seu valor. Mas tem coisas que mesmo tendo sido editadas em CD ainda valem em vinil, como os títulos lançados pelo selo inglês Vertigo durante o final dos anos 60 e começo dos 70. Um dos que eu considero precioso é uma banda chamada Dr Strangely Strange, o disco chama-se "Heavy Petting", a capa foi feita pelo Roger Dean (que fazia as capas do Yes) e lutei para conseguir uma cópia no eBay, que me custou mais de 100 dólares.
Kid, todo colecionador sonha, ou já pensou, naquele dia em que vai chegar a uma loja e comprar todos, literalmente todos, os álbuns que tem vontade. Infelizmente, na vida real isso fica um pouco mais difícil (risos), mas a gente continua sonhando. Então, qual foi o maior número de álbuns que você comprou de uma única vez?
Isso foi há uns três anos atrás, quando eu trabalhava na Trama e na MTV. Viajei para Londres e fui num atacadista de discos raros da década de setenta principalmente (mas relançamentos em vinil).
Tem um selo italiano chamado Akarma, que lança tudo em vinil e CD, eles devem ter uns 200 títulos no catálogo, lembro que comprei todos os LPs e os CDs.
Como jornalista, apresentador, músico e referência em rock, você recebe muito material de gravadoras e artistas, e com certeza muitos destes itens não são do seu gosto pessoal. Você guarda todo este material promocional, ou fica só com o que realmente curte e repassa o restante?
Realmente fico somente com aquilo que me interessa, apesar que as gravadoras já sabem do meu gosto musical e se preocupam em me mandar só as coisas de rock que sabem que eu gosto. Nunca me mandaram discos de axé ou samba, aaaargh...
Apesar de receber todo este material, você ainda continua comprando itens para a sua coleção? Se sim, quantos álbuns em média você compra por mês?
Hoje eu compro muito menos discos, geralmente compactos de 7 polegadas (o chamado compacto simples) pelo correio das bandas estreantes inglesas. Tudo que é banda na Inglaterra lança suas primeiras músicas em compacto de vinil. Além dos compactos às vezes compro algum CD que eu sei que não vai ser lançado aqui.
Qual o item que você tem mais ciúmes, tem um carinho especial e não venderia de jeito nenhum?
Eu tenho ciúme de todos os meus discos, jamais vendo ou me desfaço de qualquer um deles, não sei especificar um em especial.
Entre todos os itens que você possui, quais foram os que deram mais trabalho para conseguir?
Alguns itens eu entrei em leilões no eBay, como o "Yardbyrds Live" de 1968 (esse disco é considerado um embrião ao vivo do Led Zeppelin, pois tem Jimmy Page na guitarra), é bastante raro e custou para conseguir.
Alguns títulos do selo Vertigo (Ramases, Still Life), os lançamentos limitados em vinil do selo Shadocks da Alemanha (esse selo chegou até a lançar coisas obscuras do rock brasileiro como Sound Factory, Geração Bendita, Paebiru, Bango).
A minha coleção de vinis do Canned Heat, a minha banda favorita de blues psicodélico. Outra coleção de vinis que eu prezo muito e sofri para conseguir todos foi do grupo canadense The Guess Who, que era uma banda pop da década de sessenta e que nos anos setenta deu origem ao BTO (Bachman Turner Overdrive).
Apesar de tudo o que você possui, existem alguns álbuns que você deseja e ainda não conseguiu para a sua coleção?
Na verdade exitem alguns do selo Vertigo que me faltam, mas custam muito caro, como:
Manfred
Mann
-
Chapter
Tree
-
Volumes
One
&
Two
Legend
-
Legend
Nirvana
-
Local
Anesthetic
(esse
era
o
Nirvana
progressivo)
Kid, você possui algum lugar específico para guardar a sua coleção? E, além disso, tem alguma dica de como conservar todos estes itens?
Como eu falei anteriormente, moro num minúsculo apartamento e meus discos estão espalhados em várias estantes, cada uma tem uma ordem que só eu entendo. Outra parte está em caixas e daí vira uma puta zona.
Conservação também fica difícil pela quantidade, só evito local úmido e coloco sempre capinhas de plástico para protegê-los melhor. Limpeza no máximo uma flanela umedecida com água, simplesmente para tirar o pó.
Eu queria que você fizesse agora um top#5 com os itens do seu acervo que você mais curte.
Neil
Young
- On
The
Beach
Alice
Cooper
-
Easy
Action
Aphrodites
Child
-
666
The
Faces
- A
Nod
Is
Good
As
Wink
To A
Blind
Horse
Slade
-
Slade
Alive
Tenho certeza de que você já fez esta lista, mas vou perguntar do mesmo jeito: para você, quais são os dez melhores álbuns de todos os tempos?
Beatles
-
White
Album
Rolling
Stones
-Exile
On
Main
Street
Sex
Pistols
-
Never
Mind
The
Bollocks,
Here´s
The
Sex
Pistols
The
Clash
-
London
Calling
The
Smiths
-
The
Queen
Is
Dead
David
Bowie
-
Ziggy
Stardust
And
The
Spiders
From
Mars
Bob
Dylan
-
Blonde
On
Blonde
Lou
Reed
-
Berlin
Stone
Roses
-
Stone
Roses
Oasis
-
Definitely
Maybe
Sonic
Youth
-
Daydream
Nation
Pixies
-
Surfer
Rosa
Podem ser doze?
Podem sim. E atualmente, nos últimos dois, três anos, que grupos tem chamado a sua atenção? E mais, que grupos você tem ouvido atualmente e que destacaria para os nossos leitores?
-
Bell
Rays
-
Dirtbombs
-
Drive
By
Truckers
-
Arcade
Fire
-
Hard
Fi
-
The
Kooks
-
Detroit
Cobras
-
Forward
Russia
-
Guillemots
-
The
Cirbs
-
The
Spinto
Band
-
The
Rakes
-
Wolfmother
- We
Are
Scientists
-
The
Pipettes
-
The
Editors
-
Secret
Machines
-
Band
Of
Horses
-
The
Elected
-
Islands
Certamente, no meio de todo este acervo, deve existir alguns itens que você olha e pensa “nossa, porque eu comprei este disco?”. Então, vamos lá: qual é o item mais estranho da sua coleção, e também que álbuns as pessoas ficariam surpresas em saber que você possui?
Meu gosto é bem variado, tenho blues, jazz, country, folk. Uma vez o Massari veio fazer uma matéria em minha casa para a MTV e viu um disco da dupla Sony & Cher e um da Cher e ele achou muito estranho eu gostar da Cher, mas na verdade eu curto a Cher na década de 60, antes dela fazer sucesso no cinema, quando ela cantava baladas como "I Got You Babe", que mais tarde o UB40 regravou com a Chrissie Hynde dos Pretenders.
Tenho coisas bizarras em vinil, como as trilhas dos filmes B do Russ Meyer.
A Collector´s Room tem apresentado diversas coleções imensas, verdadeiros acervos históricos, literalmente impressionantes. Qual a sua opinião a respeito destes fãs dedicados que possuem, na maioria das vezes, mais material do que os próprios integrantes dos grupos dos quais são fãs?
Nunca fui muito chegado em fanatismo, gosto de ter sim os discos mais importantes de um grupo ou artista, o resto eu dispenso, mas tudo bem, "cada louco com a sua mania".
O rock já está aí há mais de cinquenta anos, e passou por diversas fases neste tempo todo. Sendo assim, eu gostaria que você indicasse aos nossos leitores os álbuns que você recomenda das décadas de sessenta até hoje.
Anos
60
The
Who
-
Sell
Out
The
Kinks
-
Face
To
Face
The
Yardbyrds
-
Having
A
Rave
Up
The
Beatles
-
Revolver
The
Rolling
Stones
-
Their
Satanic
Majesties
Request
Bob
Dylan
-
Highway
61
Revisited
Jefferson
Airplane
-
Surrealistic
Pillow
Grateful
Dead
-
Anthem
Of
The
Sun
Frank
Zappa
-
Freak
Out!
Pink
Floyd
-
The
Piper
At
The
Gates
Of
Dawn
The
Velvet
Undreground
-
The
Velvet
Underground
Led
Zeppelin
-
Led
Zeppelin
I
Anos
70
Badfinger
- No
Dice
Black
Sabbath
-
Master
Of
Reality
Lou
Reed
-
Rock
And
Roll
Animal
Alice
Cooper
-
Killer
New
York
Dolls
-
New
York
Dolls
MC5
-
Kick
Out
The
Jams
Stooges
-
Stooges
Ramones
-
Ramones
Patti
Smith
-
Horses
The
Clash
-
The
Clash
Sex
Pistols
-
Never
Mind
The
Bullocks
David
Bowie
-
Aladin
Sane
T.
Rex
-
Electric
Warrior
Roxy
Music
-
Roxy
Music
King
Crimson
-
Starless
And
Bible
Black
Anos
80
Elvis
Costello
-
Get
Happy
Devo
-
Freedom
Of
Choice
Dexys
Midnight
Runnes
-
Too
Rye
Ay
Joy
Division
-
Closer
Gang
Of
Four
-
Solid
Gold
Siouxsie
And
The
Banshees
-
Kaleidoscope
The
Cure
-
The
Top
U2
-The
Unforgetable
Fire
Depeche
Mode
-
Speak
&
Spell
Human
League
-
Dare
Gary
Numan
-
Telekon
Soft
Cell
-
Non
Stop
Erotic
Cabaret
PIL
-
The
Flowers
Of
Romance
The
Stranglers
- La
Folie
Xtc
-
English
Settlement
Anos
90
Stone
Roses
-
Stone
Roses
Teenage
Fanclub
-
Bandwagonesque
Nirvana
-
Nevermind
Mudhoney
-
Every
Good
Boy
Deserves
Fudge
Soundgarden
-
Badmotorfinger
Sonic
Youth
-
Dirty
Pixies
-
Bossanova
The
La´s
-
The
La´s
Happy
Mondays
-
Pills
And
Thrills
And
Bellyaches
Beastie
Boys
-
Ill
Comunication
Primal
Scream-
Screamadelica
Pulp
-
His
And
Hers
Smashing
Pumpkins
-
Gish
Blur
-
Parklife
Oasis
-
What´s
The
Story
Morning
Glory
Super
Furry
Animals
-
Fuzzy
Logic
Boo
Radleys
-
Giant
Steps
My
Bloody
Valentine
-
Loveless
Pavement
-
Slanted
And
Enchanted
Anos
00
Strokes
- Is
This
It
Arcade
Fire
-
Funeral
Interpol
-
Turn
On
The
Bright
Lights
Belle
And
Sebastian
-
Fold
Your
Hands
Child,
You
Walk
Like
A
Pesant
The
Libertines
- Up
The
Bracket
The
Coral
-
The
Coral
The
Rakes
-
Capture/Release
Hard-Fi
-
Stars
Of
Cctv
The
Ordinary
Boys
-
Brassbound
Black
Mountain
-
Black
Mountain
Wolfmother
-
Wolfmother
Bloc
Party
-
Silent
Alarm
Ladytron
-
Witching
Hour
Silver
Jews
-
Tanglewood
Numbers
The
Magic
Numbers
-
The
Magic
Numbers
Kaiser
Chiefs
-
Employment
The
Futureheads
-
The
Futureheads
The
Flaming
Lips
- At
War
With
The
Mystics
Mystery
Jets
-
Making
Dens
Editors
-
The
Back
Room
Maximo
Park
- A
Certain
Trigger
Eu me lembro que, quando comecei a ouvir música, em meados dos anos oitenta, me chamou a atenção aquele cara ruivo, gordinho e de bigode que liderava uma banda que cantava o hit “eu sou boy, eu sou boy, eu sou boy”. Como foi para você a experiência com o Magazine, transformando-se de jornalista em músico, indo para a frente das câmeras?
Foi um processo natural, pois a banda corria paralela à minha carreira no rádio e na TV. Acho que trabalhar com rádio ajudou bastante, pois aprendi a improvisar e de certa forma atuar foi um passo à frente.
É palpável a sua paixão pela música. A sua coleção é uma das mais respeitadas do Brasil. Qual é a sensação que você sente ao parar e olhar para todo este acervo reunido ao longo de todos estes anos?
Eu adoro essa minha coleção, cada disco tem uma história. É engraçado quando começo a olhar e procurar algum disco e vejo os outros e começo a lembrar como consegui, onde, em que circunstâncias. É um pedaço da minha vida.
Este amor pela música já fez você atuar em diversas áreas. Músico, jornalista, escritor, apresentador, radialista. Qual destas atividades te deu mais prazer?
Eu adoro fazer rádio, sempre gostei. Hoje estou fora do rádio, mas gostaria muito de voltar, pois as emissoras estão cada vez mais pobres em termos de programação.
Pode parecer um ranço meu, ou até mesmo imaturidade, mas eu não consigo ver na cena musical brasileira, e estamos falando somente sobre rock, uma qualidade, uma variedade e uma riqueza musical tão grande, ou equivalente, às cenas inglesas e americanas, por exemplo. Você tem uma visão muito mais completa e abrangente que a minha, isso não se discute, mas o que eu queria saber é se você também sente isso em relação ao cenário rock and roll brasileiro, e a que atribui isso?
Hoje o rock brasileiro tenta sair desse marasmo que ele entrou nos anos noventa, algumas boas bandas estão se destacando até lá fora. Vocês sabem que o Cansei de Ser Sexy assinou com a Sub Pop, mas ainda é pouco. Gosto do Jumbo Elektro, Mombojó, da Karine Alexandrino, enfim existem algumas boas propostas espalhadas pelo país.
Mas a maioria ainda está nessa de hardcore ruim, emocore e outras chatices que já encheram o saco. O conhecimento musical dessa nova geração é muito limitado infelizmente, porque eles não se interessam em pesquisar ou ir fundo na matéria. Uma pena!
Pessoas como nós, que já não tem mais vinte e poucos anos, estão órfãos de uma programação musical de qualidade na TV. A MTV possui uma programação totalmente “teen”, e é praticamente impossível para na frente da TV e assistí-la por muito tempo. Você não sente vontade de desenvolver algum programa para este público mais maduro, que possui um conhecimento musical e não consome qualquer coisa que a mídia apresenta?
Com certeza, vivo pensando nisso, mas está dificil viabilizar em alguma emissora de TV. O interesse deles sempre bate na breguice. Quando alguém acreditar e bancar uma proposta dessas eles vão ver que dá resultado. O dificil é convencer alguém.
Eu tentei fazer isso na Brasil 2000, mas as pessoas viviam em outra realidade e não queriam saber de cultura musical, era um querendo derrubar o outro o tempo todo, briga de poder e nessas eu acabei caindo.
Como já falamos antes, você já realizou inúmeras coisas dentro da música. Apresentador, crítico, músico, radialista. Na boa, o nome Kid Vinyl é praticamente uma “lenda viva” na música brasileira. O que você ainda gostaria de realizar em relação à música?
Uma coisa parecida com o que eu disse acima, ter o controle "total" sobre a programação de uma rádio, ou ter um programa de TV decente, sem interferências comerciais.
Você já está há muito tempo trabalhando com música. Como você vê a evolução do cenário musical brasileiro nos últimos vinte, trinta anos, de praticamente insignificante na época do primeiro “Rock In Rio” (1985) ao estágio atual, com milhões de fãs, veículos, selos e lojas especializadas? O que você acha que está melhor ou pior agora, e o que ainda precisa melhorar?
Certas coisas melhoraram, como a estrutura de shows. As pessoas se organizaram, os selos independentes vieram com força maior, a internet ajuda, e muito.
Mas o que decaiu bastante foi a qualidade musical nas rádios e na programação das emissoras de televisão. Até a TV a cabo, que seria uma alternativa, está parecida com a TV comercial, sem qualidade nenhuma e apostando em programas cada vez piores. Vide "American Idol" e "Top of The Pops", por exemplo. Tiraram o fabuloso "Later" do Jools Holland e colocaram no lugar o “Top of the Pops” (e isso é só um exemplo).
O formato “single” é um dos proferidos dos coleiconadores, seja pela quantidade limitada com que são lançados, seja pelas versões e músicas inéditas que muitos possuem. Porque você acha que o “single” não vingou no Brasil?
O preço de um single na Inglaterra está entre uma e duas libras, assim como o 7 polegadas. Aqui queriam cobrar quase o preço do CD normal, nunca daria certo. Se o single vende na Inglaterra é porque ele é barato e atrativo (músicas inéditas, duas partes, DVD single, etc).
O mercado brasileiro tá todo errado, a começar pelo preço do CD, que não precisava custar 40 reais. Na Inglaterra um CD custa 40 reais, nos

