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Motorhead SP

Motorhead
29/04/07 - Via Funchal
SÃO PAULO - SP
Motorhead esquenta o
domingo na capital paulista !!!
No domingo, dia 29, o Motörhead baixou em São
Paulo como parte da turnê de promoção do álbum Kiss of Death e muitos, como
este escriba, que tinha visto a banda apenas em sua primeira passagem pelo
Brasil, em 1989, se surpreenderam com a vitalidade do eterno Lemmy. A dieta
de whisky, cigarros, noitadas, mulheres, jogatina e decibéis deve mesmo
fazer bem à saúde, pois o inventor do Motörhead mantém a performance há 18
anos!

E, coincidência ou não, o show começou com "Dr. Rock", do álbum Orgasmatron.
Como em 1989. A diferença é que desta vez, ao invés de apoiar-se em efeitos
pirotécnicos, Lemmy limitou-se a anunciar: "We are Motörhead and we play
rock’n’roll". Melhor definição, impossível.
A qualidade de som do
Via
Funchal é quase
sempre muito boa e com uma banda possante como o antológico power-trio, o
chão chega a tremer. A segunda canção, a clássica "Stay Clean", arrancou
lágrimas de alguns e o áudio cristalino foi ganhando em volume. À certa
altura Lemmy perguntou à platéia: "Is it loud enough?". E o público que
lotou a casa, entendendo ou não, mandou um "yeah!" em uníssono; o que
pareceu a melhor resposta.
Como banda ativa que ainda é - afinal eles lançam, em média, um CD novo a
cada dois anos -, o Motörhead não se acanhou em incluir um punhado de
músicas recentes no set-list, algumas saudadas pela platéia com o mesmo
entusiasmo dos clássicos que todo mundo conhece. Seria preciso uma melhor
prova que eles fazem parte da rara espécie dissecada no início da
resenha?

Por conta dos temas pinçados dos álbuns Inferno e Kiss of Death, alguns
épicos ficaram de fora, como "Bomber", "No Class" e "Capricorn". Mas pouca
gente deve ter reclamado, pois, de outro lado, Lemmy e seus comparsas
brindaram o público com "Iron Fist", "Metropolis", "The Chase is Better than
the Catch", "Killed by Death" e "Shine". Essa última mereceu uma introdução:
"Em 1983 lançamos um disco (Another Perfect Day) que a crítica detestou.
Vamos tocar uma música dele agora. Se vocês gostarem, tudo bem...". E ao
testemunhar a interpretação refinada de "Shine", dá pra concluir que público
e crítica da época estavam com sérios problemas de julgamento quando
renegaram o chamado "Robbo Album" -- apelido que surgiu pela presença do
guitarrista Brian "Robbo" Robertson, ex-Thin Lizzy.
E se a lembrança da banda irlandesa veio à mente em virtude das guitarras de
"Shine", Lemmy tratou de escancarar o tipo de rock que gosta: "Temos fãs de
Thin Lizzy por aqui?". Cerca de dez pessoas ergueram as mãos entre milhares.
Lemmy se decepciona: "Vamos lá, o cara (Phil Lynnot) era brasileiro…". E
dá-lhe "Rosalie", um rock'n'roll rasgado da melhor safra do Lizzy. Coisa
fina.
Em alguma seqüência no set, rolou a canção de 1990 inspirada nas idas e
vindas de avião pelo planeta e que, não por acaso, leva o nosso país no
título: "Going to Brazil".
A
banda saiu do palco duas vezes. Na primeira, em um intervalo durante a
música "Sacrifice", em que Mikkey Dee sobrou no palco para executar um solo
de bateria. Na última, para um bis de verdade com "Whorehouse Blues", um
momento muito diferente do que se espera de um show do Motörhead: Phil
Campbell e Mikkey tocando violão, enquanto Lemmy desfia um blues pigarrento
e arrisca-se a tocar uma gaita malandra. A seqüência trouxe o hit máximo "Ace
of Spades" e, por fim e atendendo a pedidos, "Overkill".
Lemmy apresenta a banda - como se precisasse - e não poupa elogios a seus
camaradas: "Há 23 anos nessa banda, Phil Campbell. E o melhor baterista do
mundo, Mikkey Dee".
O público grita o nome da banda até não restar esperança que eles voltem ao
palco para outro encore. Mas com tantos serviços prestados e uma discografia
classuda como a deles, só dá pra repetir o que todo mundo diz: Lemmy é o
rock'n'roll. Ver o homem ao vivo empunhando seu Rickenbaker será sempre uma
honra.
Texto :
Eduardo Abreu
- Fonte : RockPress Fotos: Simone Santos
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