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HISTORIA DA BATERIA
A bateria é uma invenção do século XX. "No começo dos anos 1900, bandas e
orquestras tinham de dois a três percussionistas cada. Um tocava o bombo, outro
tocava a caixa, e o outro tocava os pratos, os blocos de madeira e fazia os
efeitos sonoros." (CANGANY, 1996, p. 31). Um bom exemplo disso eram as bandas de
rua de New Orleans, nos Estados Unidos, que tocavam o estilo de Jazz conhecido
como Dixieland, onde havia pelo menos dois percussionistas, um tocando caixa e o
outro tocando o bombo e os pratos, que ficavam fixos em cima do bombo,
possibilitando tocá-los em pé ou caminhando.
A partir da invenção do pedal de bumbo, tornou-se possível que uma pessoa apenas
fizesse o trabalho que antes, três pessoas faziam. O primeiro modelo prático de
pedal de bumbo foi construído por William F. Ludwig em 1910. Outra invenção
aparentemente simples que tornou a bateria possível foi a estante para caixa,
desenhada pela primeira vez em 1899. Antes disso, o instrumento era pendurado
nos ombros com o uso de correias, ou então apoiado em cima de cadeiras. Uma vez
que pedais e suportes para caixa práticos se tornaram disponíveis, um único
baterista poderia executar o trabalho previamente feito por três. E assim nasceu
a bateria.
Até 1920, os bateristas de jazz nos EUA, não se destacavam muito, limitando-se
apenas a marcar o tempo da música. Aos poucos, alguns músicos foram se
destacando, devido à técnica e sua maneira de se apresentar, como por exemplo,
Jo Jones e Gene Krupa. Krupa, no entanto, apesar de não ter sido o primeiro
grande baterista da história, tornou-se conhecido como um dos primeiros solistas
na bateria, devido ao fato de não sofrer discriminação racial, já que era
branco. Sendo assim, ele se apresentava nas principais casas de shows dos EUA,
tornando sua maneira de tocar bastante popular, como por exemplo, ao lado da
orquestra do clarinetista Benny Goodman na música ‘Sing Sing Sing’. Bem mais
tarde, outro baterista tornou o instrumento bastante popular em todo o mundo, a
partir do início dos anos 60. Era Ringo Star que devido à sua grande
popularidade e, junto com diversos outros bateristas de grupos de Rock,
trouxeram cada vez mais um lugar de destaque para bateria.
Dessa forma, a criação da bateria, como um instrumento musical bastante recente
(cerca de 100 anos de história), está intimamente ligada ao surgimento do Jazz,
proveniente da tradição das bandas de rua (Marching Bands) norte-americanas, bem
como o seu desenvolvimento está ligado à história e ao desenvolvimento do Jazz e
do Rock, respectivamente na primeira e segunda metade do século XX. Por isso, os
EUA são a principal referência no estudo da bateria e em produção de material
didático, já que o instrumento foi se desenvolvendo de acordo com o cenário
musical no qual estava inserido, o jazz norte-americano em suas diversas fases:
New Orleans, Swing, Big Bands, Be Bop.
Em seguida, na segunda metade do século XX, o rock passou a ser o principal
movimento musical mundial. Apesar das bandas européias, principalmente inglesas
nos anos 60, serem as de maior sucesso em todo o mundo, os EUA continuam sendo a
maior referência para a bateria.
No Brasil, a influência norte-americana sempre existiu no que diz respeito à
bateria, seja pelo cinema, pelas gravações e shows de jazz, pelos equipamentos,
ou pelos primeiros livros e métodos de bateria que mesmo com muita dificuldade,
os bateristas brasileiros sempre procuraram ou desejaram ter acesso para
satisfazer a busca por escassas informações disponíveis em nosso país.
Com a influência das jazz-bands, surgem no Rio de Janeiro diversos grupos e
orquestras com arranjos diferenciados para a música brasileira. É então que
começa a aparecer um maior número de bateristas. Os músicos paulistanos nas
décadas de 50 e 60 se encontravam para trocar informações, inclusive com os
bateristas norte-americanos que apareciam com freqüência acompanhando artistas
famosos do Jazz.
Paralelamente a isto, os bateristas brasileiros foram desenvolvendo maneiras
particulares de tocar o instrumento, incorporando os elementos da percussão e as
idéias musicais provenientes da enorme riqueza cultural e musical brasileira. É
o caso, por exemplo, de Luciano Perrone, um dos primeiros bateristas
brasileiros. Ele criou uma maneira própria de tocar samba na bateria, já que
naquela época, seu instrumento resumia-se a uma caixa, colocada sobre uma
cadeira, um prato, pendurado na grade que separava os músicos da platéia, e um
bumbo sem pedal que ora era percutido com a baqueta, ora com o pé mesmo. Nascido
no Rio de Janeiro em 1908 e tendo iniciado sua carreira aos 14 anos de idade, na
época do cinema mudo - no antigo cinema Odeon do Rio de Janeiro - Luciano
Perrone é considerado o pai da bateria brasileira. Foi Luciano Perrone quem
inventou a bateria no Brasil. Este típico instrumento americano, recebeu através
das mãos deste baterista, o suingue e a nobreza dos ritmos brasileiros.
Na década de 50, Edison Machado surge como o primeiro baterista a tocar samba
com o prato de condução e Milton Banana torna famosa, no mundo todo, a batida da
bossa nova através de gravações com Tom Jobim e João Gilberto, só para citar
alguns exemplos. Além deles, muitos outros inovaram a maneira de tocar bateria,
incorporando as idéias e as riquezas dos ritmos e da percussão brasileira,
aliando-os à modernidade e à vanguarda, como por exemplo: Robertinho Silva,
Nenê, Zé Eduardo Nazário, Marcio Bahia, Carlos Bala, Paschoal Meirelles,
Guilherme Gonçalves, entre outros. Os bateristas brasileiros mostram que, mesmo
tocando um instrumento que nasceu nos Estados Unidos e que tem como
característica reunir vários instrumentos de percussão para uma pessoa tocar
sozinha, pode-se dar a esse instrumento um tratamento com base nas mais
profundas raízes da percussão, já que no Brasil, a enorme riqueza e as
diversidades rítmica e cultural influenciam sobremaneira a arte musical e os
músicos. Dessa forma, o uso de outros instrumentos de percussão, característicos
nos diversos ritmos brasileiros, podem e devem contribuir para a formação
musical do baterista.
Por: Pedrão